sex., 20 de novembro de 202010 minutos lidosBernhard Meuser

Quais são os 7 dons do Espírito Santo?

Quais são os 7 dons do Espírito Santo e como eles são descritos na Bíblia. Todas as explicações podem ser encontradas neste artigo.

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Definição


Os Sete Dons do Espírito Santo

O Espírito Santo, prometido por Jesus aos discípulos, está presente no Novo Testamento em três palavras: dynamis (= onipotência de Deus), energeia (= poder efetivo), e pneuma (= sopro vivo). No Espírito Santo nos é dada a plenitude da graça. O discurso bíblico sobre os “Sete Dons do Espírito Santo” especifica quais dons podem e realmente se tornam visíveis e possíveis em cada crente, através do Espírito Santo. Fala-se de charisma ou carisma (grego antigo = dom cedido por bondade).

O que a Bíblia diz?


No Novo Testamento há listas dos “dons do Espírito Santo” em diversas passagens, algumas sobrepostas – por exemplo Rm 12, 6-8; 1Cor 12, 8-10; 1Cor 12, 28-31; Ef 4, 7.11s; 1Pd 4, 10-11. Tradicionalmente há um consenso na Igreja de “sete” dons do Espírito Santo. YOUCAT 310: “Os sete dons do Espírito Santo são a sabedoria, a inteligência, o conselho, a fortaleza, o conhecimento, a piedade e o temor de Deus. É assim que o Espírito Santo dota os cristãos, concedendo-lhes determinadas forças para além das suas aptidões naturais e dando-lhes a oportunidade de se tornarem instrumentos especiais de Deus neste mundo.”

Uma pequena catequese do YOUCAT:


O plano secreto da Igreja

Há uma linda igreja antiga em Neuburgo do Danúbio, onde as pessoas somente precisam olhar para o teto para descobrir os “Sete Dons do Espírito Santo”. Em um curta-metragem, Annemarie Strahl explica o que é esta estranha pintura. Sua explicação é bela e precisa. Ela assim descreve o Espírito Santo: “Enquanto constrói a Igreja, Ele está lá, onde em um teto abobado está a pedra angular, sem a qual uma abóboda iria desabar. Nossa Igreja existe somente porque o Espírito Santo está lá e derrama seus dons... Os Sete Dons fluem em sete direções diferentes, e eu acredito que todos receberam um ou mais dons – não acho que alguém tenha todos eles”. É exatamente isso que o YOUCAT 119 pergunta: “O que faz o Espírito Santo na Igreja?”. Resposta: “O Espírito Santo edifica a Igreja, impele-a e recorda-lhe a sua missão. Chama homens e mulheres para o serviço dela, concedendo-lhes os dons necessários. Introduz-nos cada vez mais profundamente na comunhão com o Deus trino.”

Muitos arquitetos destroem a Igreja

Na Alemanha há um ditado: Ter muitos cozinheiros estraga o mingau. Um deles adiciona um pouco de sal. Outro diz: “Agora outra colher de mel!” O terceiro diz: “Mingau sem alho? De jeito nenhum!” Qual a probabilidade de o mingau se tornar intragável? O Cristianismo, da mesma forma, torna-se intragável quando autoproclamados arquitetos acreditam que a Igreja é o que nós, humanos, dela fizermos. Aqui está outro livro inteligentíssimo! Ali outro novo comitê! E aqui um fabuloso memorando! Eles mexem na Igreja sem restrições, tentando suavizar suas arestas e tornar sua aparência mais aceitável a seus contemporâneos. Ao ouvir a Deus, as pessoas podem servir à Igreja muito bem. Mas, no fim, a Igreja tem somente um mestre de obras. Ele é invisível, e só pode ser sentido com o melhor dos sentidos, mas é muito ativo. “É o Espírito Santo que mantém a Igreja, como um todo, na Verdade e a introduz cada vez mais profundamente no conhecimento de Deus. É o Espírito Santo que age nos sacramentos e faz com que a Sagrada Escritura se torne viva para nós.” (YOUCAT 119) E é isso que importa. Como associação com altos ideias, seja um grupo, um partido, geralmente como entidade sociológica, a Igreja não tem interesse.

Que é de fato o Espírito Santo quem trabalha na Igreja é evidente pelo mero de fato sua existência mesmo depois de 2000 anos. Em sua longa história, tudo foi feito com a Igreja: ela foi proibida ou usada, elevada ao céu ou amaldiçoada, corrompida ou perseguida, aprisionada ou excluída – e com frequência foi declarada morta. Napoleão uma vez ameaçou Consalvi, cardeal e negociador do Vaticano: “Você percebe, eminência, que posso destruir sua Igreja a qualquer momento?” Consalvi respondeu: “Você percebe, eminência, que nem mesmos nós padres conseguimos fazê-lo em dezoito séculos?” E algo mais fala a favor do misterioso arquiteto divino: “Os seus parcos 2000 anos de existência, com os muitos santos de todas as épocas e culturas, são um testemunho visível da Sua presença.” (YOUCAT 119) Quando a Igreja afundou no dinheiro, poder e fama há 800 anos, não foram os papas e prelados que a salvaram da ruína. Um pequeno homem, chamado Francisco, reconstruiu-a no Espírito Santo. E quando Roma foi julgada pela Reforma há 500 anos e foi saqueada por mercenários, novamente não foram os papas e prelados que a tiraram da lama, mas um santo bobo de Deus, Felipe Néri, e um santo soldado de Deus: Inácio de Loyola.

Os blocos de construção para uma Igreja movida espiritualmente

A Igreja primeiramente precisa do dom da sabedoria – ou, para usar outro termo, do “espírito do discernimento”. Em 1Jo 4, 1 é dito: “Caríssimos, não deis fé a qualquer espírito, mas examinai se os espíritos são de Deus, porque muitos falsos profetas se levantaram no mundo.” É por isso que cristãos sábios sempre dizem: deixe-me rezar e pensar sobre isso por uma noite, então poderei fazer meu julgamento.

A Igreja, então, precisa do dom da inteligência. Inteligência significa: não permanecer meramente na superfície! Olhar para o profundo! Reconhecer o que Deus quer dizer ou mostrar a você. O “coração sábio” (1Rs 3, 9) que o sábio Rei Salomão pediu pode também ser encontrado nos dois discípulos de Emaús, que partem com pensamentos sombrios até que uma terceira pessoa misteriosa se junta a eles. Os olhos dos desesperados somente se abrem quando o pão é partido. Sem a inteligência, nunca saberíamos “coisas que os olhos não viram, nem os ouvidos ouviram, nem o coração humano imaginou, tais são os bens que Deus tem preparado para aqueles que o amam. Todavia, Deus no-las revelou pelo seu Espírito, porque o Espírito penetra tudo, mesmo as profundezas de Deus.” (1Cor 2, 9-10)

A Igreja precisa do dom do conselho. Frequentemente ficamos perdidos – e nossa perplexidade nos causa um “curto-circuito”. Então, nós causamos isso – não Deus. Ser um cristão significa viver com confiança e paciência, esperando pela mão de Deus. Quando a hora chegar, ficará claro o que é correto. Podemos pensar na palavra que Jesus deu a seus discípulos para a hora em que eles seriam levados a julgamento: “Quando fordes presos, não vos preocupeis nem pela maneira com que haveis de falar, nem pelo que haveis de dizer: naquele momento ser-vos-á inspirado o que haveis de dizer. Porque não sereis vós que falareis, mas é o Espírito de vosso Pai que falará em vós.” (Mt 10, 19-20)

A Igreja precisa do dom da fortaleza. Também pode ser dito que ela precisa de bravura e pessoas proféticas. “Quem tem fortaleza” diz o YOUCAT 303, “responsabiliza-se pelo bem que é conhecido, mesmo que tenha, em caso extremo, de sacrificar a própria vida.” Os verdadeiros servos de Deus seguem 2Tm 4, 2: “prega a palavra, insiste oportuna e importunamente, repreende, ameaça, exorta com toda paciência e empenho de instruir.” Um corajoso lutador da resistência contra Hitler, Robert Prinz von Arenberg, disse: “Eles não podem fazer mais do que me matar. E mesmo que o façam, não irão de fato me matar.”

A Igreja também precisa do dom do conhecimento. Isso não se refere simplesmente à razão humana, mas àquele “conhecimento” que é evidente em Jesus na história da mulher no poço de Jacó (Jo 4). Apesar de Jesus não conhecer a mulher, Ele é capaz de compreender suas necessidades interiores e mostra-lhe o caminho da cura. Na Igreja geralmente encontramos esse dom do conhecimento em confessores sábios e pessoas que acompanham outras espiritualmente.

A Igreja também precisa do dom da piedade. Uma pessoa é piedosa quando ela fez de Deus o centro do seu pensamento, julgamento e ação. “Quando uma pessoa descobre Deus” diz o YOUCAT 34, “tem de O colocar no primeiro lugar de sua vida.” Piedade é outra palavra para devoção a Deus. Tito 2, 11-12 fala sobre a graça de Deus: “Manifestou-se, com efeito, a graça de Deus, fonte de salvação para todos os homens. Veio para nos ensinar a renunciar à impiedade e às paixões mundanas e a viver neste mundo com toda sobriedade, justiça e piedade.”

Finalmente, a Igreja precisa do dom do temor de Deus. Para muitas pessoas modernas, isso é algo questionável. Mas para a Sagrada Escritura, o temor de Deus é “o princípio da sabedoria. Os insensatos desprezam a sabedoria e a instrução.” (Pr 1, 7) O que se quer dizer aqui é uma atitude que procede da infinita sublimidade de Deus sobre todo pensamento e ação humanos. O homem temente a Deus coloca a vontade de Deus sobre todos seus planos particulares; ele faz de tudo para viver conforme os mandamentos de Deus e não os transgredir. ∎